Governo eleito fará nova reforma administrativa, informa transição
Segundo grupo de trabalho, reajustes a servidores serão graduais
O governo eleito
pretende descartar a atual proposta de reforma administrativa e trocá-la por
outra, informou nesta terça-feira (6) o Gabinete de Transição. Segundo o grupo
de trabalho de Planejamento, Orçamento e Gestão, os reajustes aos servidores
públicos serão graduais, porque o Orçamento de 2023 não tem espaço para uma
recomposição total das perdas salariais acumuladas em sete anos.
Em relação à
reforma administrativa, a economista e ex-secretária de Orçamento Federal
Esther Dweck, integrante do grupo de trabalho, informou que o Congresso
precisará aprovar a retirada da tramitação do texto atual. Isso porque a
Proposta de Emenda à Constituição 32 (PEC 32) chegou a ser aprovada em algumas
comissões da Câmara dos Deputados.
Segundo Esther, a
proposta atual será substituída por um texto “com nova visão”. “Os dois GTs
[grupos técnicos], de Planejamento e de Trabalho, entendem que essa [retirada
da proposta atual] é uma demanda justa, dado que a PEC 32 começou com uma visão
de Estado completamente diferente do que a gente entende que seria o Estado
brasileiro necessário para cumprir tudo aquilo que o presidente [eleito] Lula
gostaria de fazer”, disse.
“No nosso
entendimento, dos GTs, essa é uma pauta justa. Entendendo que já passou por uma
comissão, então, mesmo que o presidente [eleito Luiz Inácio Lula da Silva]
concorde com a gente, ele não tem poder de retirar a proposta atual”,
acrescentou.
Esther disse que o
grupo de trabalho recebeu representantes do Fórum Nacional Permanente de
Carreiras Tipicas do Estado (Fonacate) há alguns dias. Segundo ela, os
servidores pediram que o governo eleito retirasse a reforma administrativa em
tramitação e rediscutisse o tema.
Reajustes
Em relação à
recomposição salarial do funcionalismo público, o ex-senador e ex-ministro
Aloizio Mercadante, coordenador do Gabinete de Transição, informou ser
impossível repor todas as perdas salariais em 2023. “No caso do Executivo,
vamos ter que pensar nessa reposição de perdas como processo gradual. Não há
como fazer um movimento de reparação desses sete anos nos primeiros dias do
próximo governo. Não haverá condições para isso. Temos de ser
transparentes", afirmou.
O reajuste aos servidores, informou Mercadante, só será debatido após a aprovação do Orçamento de 2023. Segundo ele, isso é necessário porque o governo eleito não sabe o espaço fiscal que terá para conceder aumentos ao funcionalismo. “Vamos aguardar a aprovação do Orçamento e ver qual será a margem que vamos ter em relação ao reajuste de servidores”, justificou.



ROMAN RAITER - JUSTIÇA AO OASE